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  27 de julho de 2011

A ARGENTINA QUE MERECE SER CONHECIDA


A ARGENTINA QUE MERECE SER CONHECIDA

                                                                 José Carlos Buch

Quando se fala de conhecer o país vizinho pensa-se logo em Buenos Aires. Realmente a capital portenha é digna de ser visitada não só uma, mas inúmeras vezes, principalmente pela sua arquitetura que a faz a mais européia das cidades sul americanas, pelos restaurantes que servem carne de qualidade inigualável a preços módicos e das compras, principalmente de roupas, incluindo artigos de couro e inverno a preços convidativos. Na argentina de hoje, é preciso $2,80 pesos para comprar um real e $4,50 pesos para comprar um dólar. Em função da valorização da nossa moeda frente ao peso, um prato de bife de chorizo harmonizado com bom vinho de Mendoza não vai além de R$25,00. Assim, roupas, comidas, vinhos, táxi estão muitos baratos o que explica o grande contingente de brasileiros que lotam os vôos diários para Buenos Aires. Mas a Argentina revela contrastes e características inusitadas. O país conta com  41.769.726 de pessoas com base no CENSO realizado em 2010 e  recentemente divulgado. Só a capital e área metropolitana  concentram mais de 15 milhões de habitantes, ou seja,  mais de 35% da população argentina. A “Copa América” que,  merecidamente conferiu o título de campeão  ao vizinho Uruguai foi o pano de fundo para uma viagem empreendida por cinco amigos que esperavam assistir bons jogos de futebol, mas, principalmente, conhecer o interior do país que um dia já foi o mais rico  do continente sul americano. Passando por Buenos Aires, a viagem começou realmente por Córdoba, capital do Estado do mesmo nome, a segunda maior cidade do país, depois de Buenos Aires,  onde se concentra a indústria automobilística e a produção de grãos em grande escala. A cidade conta com 1.330.023 habitantes com destaque ao aeroporto, recém ampliado e reformado,  e ao estádio “Mário Alberto Kempes”, também reformado e ampliado para os jogos da “Copa América”,  considerado o maior do país, onde o Brasil, com menor torcida e um pouco de dificuldade passou pelo Equador(4×2). Córdoba fica na região central da Argentina e tem a forma de um quadrado com 24 kms de lado.  O centro da cidade é bastante movimentado e ativo e a principal rua de comércio, na verdade um calçadão sem trânsito de veículos,  com mais de uma dezena de quarteirões, apinhada de gente a qualquer hora do dia,  é totalmente protegida por caramanchão de dar inveja. O castelhano praticado em córdoba, bastante entendível,  em nada lembra a mesma língua dos argentinos da capital.   De Córdoba, o grupo optou por alugar uma mini van da marca Zafira(GM) e seguir pelas montanhas até Mendoza, distante mais de 650 kilometros. A estrada de pista simples, mas, muito bem conservada reserva surpresas paradisíacas. A mini van alugada com cinco passageiros e cinco malas, surpreendeu com o baixo consumo de combustível –  12,5 kms com um litro de nafita, como é conhecida a gasolina “premium” argentina, que põe a gasolina brasileira(de péssima qualidade) no chinelo.   Cortar as Serras cordobesas, também conhecidas como pré-cordilheiras, é um deleite aos olhos e um prêmio oferecido pela natureza. As curvas são pouco sinuosas,  os aclives e declives são suaves e as planícies cinematográficas a ponto de permitir contemplar a extensa formação rochosa do tipo patagônico,  de quase duzentos kilometros de extensão,   onde não há vida e a vegetação praticamente inexistente, porém, uma paisagem indescritível e um horizonte tão intenso e extenso que até parece ser visto com o uso de um binóculo de amplo campo de visão. A breve parada para pernoitar permitiu conhecer um pouco de San Luiz, uma cidade fundada em 1.594, que conta com mais de 430.000 habitantes e que surpreende pela sua modernidade, comércio pujante e  largas avenidas. A bucólica estrada de pista simples e paisagens fascinantes cedeu lugar para a auto estrada que nos levou até Mendoza. A capital do vinho argentino está localizada no sopé dos Andes e possui nada mais, nada menos,  do que 1.260 vinícolas, onde predominam as uvas “Cabernet Sauvignon” e “Malbec”, a tradicional uva argentina. Lá você pode escolher almoçar numa bodega, como são conhecidas as vinícolas que acolhem os visitantes em modernos restaurantes climatizados,  cercados de videiras por todos os lados e tendo como cenário ao fundo a cordilheira dos Andes, revestida pelo tapete de neve que faz o clima à luz do dia não ultrapassar a 12 graus, chegando a  2 graus negativos no meio da noite e,  2 graus positivos ao romper da aurora. Na “Bodega Septima” onde o grupo almoçou, além de sofisticados pratos, cada qual, harmonizado com um determinado tipo de vinho, foi possível conhecer as instalações e o significado do nome “Septima”, atribuído por ser o sétimo estabelecimento da multinacional espanhola que possui vinícolas em várias partes do mundo. Em Mendoza, se diz que as videiras precisam conviver com temperaturas de menos 10 graus para a qualidade da uva proporcionar vinho de excelente qualidade,  situação climática  que dificilmente será alcançada neste ano, segundo os vinicultores locais. A cidade, capital do estado do mesmo nome, conta com uma população de pouco mais de 120.000 pessoas, próxima a de Catanduva,  foi fundada em 1.561, fica a oeste do território argentino e notabiliza-se por suas largas e planas avenidas arvoreadas, intenso comércio  nas ruas centrais que abre às 10 horas e vai até as 20 horas e  que surpreende o visitante pelas dezenas de milhares de pessoas nas ruas,  o que lembra a rua 25 de Março em São Paulo. O frio é intenso mas tolerável diante da  umidade relativa do ar proporcionada pela neve acumulada nas montanhas que se perdem de vista no horizonte onde a camada branca se contrasta com o azul do céu, próprio do inverno. De um modo geral, o território do vizinho país é literalmente plano e as pessoas do interior, extremamente cordiais,  não escondem a baixa estatura e os traços indígenas que resistem ao tempo, mesmo depois de quase cinco séculos da colonização espanhola. De volta a Buenos Aires o grupo teve a decepção de ver a seleção perder quatro pênaltis diante do frágil Paraguai, amenizado pela alegria de conhecer o moderníssimo estádio de La Plata, tido como o mais bonito e moderno da América do Sul,  que fica na capital da Província do mesmo nome, distante 70 kilometros de Buenos Aires. Em todas as cidades citadas o nome “San Martin” é muito forte, já que identifica umas ruas principais ou uma das principais praças. A viagem a La Plata  do tipo “bate e volta” foi uma verdadeira aventura,  em ônibus de anos de kilometros bem rodados, com lotação total e pessoas em pé no corredor, sem espaço para mais ninguém,   trafegando por auto pista com velocidade de até 120 kms/hora(que irresponsabilidade!).  Na volta, após o fatídico jogo,  foi possível observar um fato inusitado. Um grande número de veículos congestionou o pedágio, cujo valor cobrado é praticamente simbólico, se comparado ao cobrado em nossas rodovias,  daí começou um buzinaço ensejando  que todas as cancelas fossem abertas. Segundo uma passageira residente em Rio Grande, cidade  próxima à Ushuaia,  há uma lei na argentina que confere esse direito ao condutor do veículo e isso eles chamam de cidadania, lembrando que o argentino e o chileno possuem um patriotismo invejável que nós brasileiros só o vivenciamos em época da copa do mundo. De dar inveja, não é mesmo? Por fim, uma outra surpresa foi conhecer Alessandro, um baiano de Salvador que trocou a boa terra e a dança de capoeira para turista ver, por um emprego de segurança numa loja de brinquedos, constituindo família na Argentina. Após concluir o supletivo, ingressou na faculdade de medicina onde cursa o terceiro ano com uma carga horária de apenas 20 horas semanais, jornada que, segundo ele,  será aumentada com a parte prática a partir do quarto ano. Após seis anos, o médico baiano Dr. Alessandro,  poderá dar plantão, mas não clinicar já que terá que enfrentar mais seis anos de residência e especialização. Seu sonho é exercer a atividade de médico pediatra em sua terra natal.  Nada mal para quem saiu do Brasil semi-analfabeto e vai virar “doutor” na Argentina. Deixando de lado a rixa do futebol, visitar a Argentina vale a pena, sobretudo, em tempos de real forte.

                                                       advogado tributário

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