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  31 de dezembro de 1969

AMIGOS DE INFÂNCIA QUE (NUNCA) SE FORAM


Dias desses num lance de flashbak, como num filme, comecei a rever o cenário do período compreendido entre o final da década de sessenta até meados da década da setenta, nos altos da Vila Sicopan, atual Jardim Bela Vista. No local onde hoje funciona a escola “José de Oliveira Barreto”, era um campo de chão batido e alguns juás bravos, do tamanho de um quarteirão quadrado, com razoável declive e  duas traves de madeira. Atrás da  trave  que dava para a rua Araçatuba, existia um terreno baldio e, vizinho dele,  a casa do “neguinho” onde, nos intervalos e mesmo ao final das peladas, todos  saciavam a sede com água fresca recém tirada do poço caipira e servida em uma ou duas canecas de alumínio. Muitos já trabalhavam ajudando o orçamento da família, todas pobres mas felizes. Era o tempo  estudar de manhã no Grupo Escolar de São Francisco, da  exigente e enérgica diretora Nair Carvalho Neves(solteirona de longos cabelos pretos, unhas compridas esmaltadas em vermelho), dos serventes: Toninho(Antonio de Toledo Santos) atualmente porteiro do CPP e da Dona Honorina Lupi Cossele(já falecida);  das pacientes e competentes professoras e notáveis educadoras: Yeda Barreto Hernandes(falecida); Leny Cleyde Ferraz de Campos Manzoni, Ruth Martins Vianna, Francelina Carlos Guimarães e sua irmã Rachel Guimarães Bonjovani, Nilza Carvalho Rangel, Leda Lemos Fontão, Maria Rita Figueiredo,  Aparecida Manzano Benites e do austero, mas eficiente,  professor João Padilha Rebolo(in memorian). Era o tempo da merenda que não ia além do leite servido em canecas(leite em pó recebido da FAO) que,  enganava a fome mas despertava a verminose e provocava diarréia. À tarde, ajudar nos fazeres domésticos, jogar bola ou mesmo trabalhar no aprendizado de uma profissão. Aos sábados, com direito à semana inglesa (trabalho somente até 12 horas), a pelada começava por volta das quatorze horas e se estendia até o sol se esconder no horizonte. Os dois melhores da turma, após o tradicional “par ou impar” começavam a escolher os componentes dos seus respectivos times, cabendo ao ganhador o direito de escolher primeiro, sendo que o seu grupo poderia jogar de camisa. O perdedor, além de escolher sempre após o vencedor, formaria o grupo dos sem camisa. Eram escolhidos primeiro os que tinham intimidade e habilidade com a bola(de capotão nº 5), depois os intermediários e, por final, os “reba”, grupo ao qual eu pertencia. Os times eram compostos de muitos garotos, adolescentes  e até mesmo alguns adultos, estes canelas duras que não tinham espaço sequer no XV de Novembro, célebre e lendário time amador que nunca chegou a ser campeão e que representava o Bairro de São Francisco(presidente era o Amin e o massagista Waltão da farmácia, ambos falecidos). Quase todos jogavam descalços e, poucos de “conga” um tipo de calçado barato com cadarços e solado de borracha, normalmente de cor azul que substituiu a “sete vidas” que, por sua vez ocupou o lugar da alpargata roda. Era o tempo das gírias “não tem mosquito” e “mais fora do que umbigo de vedete”. Aos domingos, os dois times com fardamento e tudo(primeiro e segundo) viajavam na boléia de caminhão para enfrentar times das fazendas da região. Como a grana recebida do anfitrião era sempre  insuficiente, a diferença do frete era bancada  por todos, num rateio compulsoriamente democrático. Alguns nomes que marcaram aquele tempo: Nandico(pedreiro, sabia tudo de bola) e seus irmãos Garcia(mestre de obras) e Dito(vendedor de ventiladores), Rubinho(proprietário de bar, futebol clássico e refinado), Tonhão-padeiro(motorista), Pedro Buch (advogado e irmão do colunista, ponta esquerda veloz), Neu(aposentado), Waldecir Zampieri (serralheiro), Osmar Borgo(Luminova), Zezé Ferruguti(foto 5 minutos) e seu irmão Aldo Ferreguti(representante comercial), Roberto(aposentado, precoce jogador de malha) e irmão do Rubão, Jaime Fernandes(mecânico de trator aposentado), Dinho (aposentado) e seu irmão Zé Leite (sindicalista); Rubens Brandão (Rubão  mecânico),   dentre outros.  Nenhum da turma se profissionalizou como jogador de futebol, embora alguns seriam titulares absolutos em qualquer grande clube nos dias atuais. Muitos desses verdadeiros craques do terrão da Sicopan  já se foram para o outro plano, alguns precocemente  e, é  deles e para eles que este artigo é escrito:  Valtinho (Valter dos Santos), vítima de nefrite, falecido antes de alcançar a adolescência. Um verdadeiro craque que lembrava o estilo Pelé.  Terceiro filho da dona Nenê, uma senhora negra de singular bondade,  viúva que criou quatro filhos(Teto, Cuca, o próprio Valtinho e Tuta, todos falecidos); Pedrinho Branzani(pedreiro) falecido por tomar todas;  Porunga(Israel Antonio Perossi),  baixinho, forte de pescoço curto,  veloz ponta direita,  pintor de carros, um dos primeiros funcionários do Nora,  que faleceu vítima de câncer no ano de 2000 com 52 anos de idade.  Nezão que jogava na “linha” apesar da sua limitada agilidade e que criou a expressão “pretume” para definir a cor preta bem preta. Pedreiro de acabamento fino, faleceu antes de completar 60 anos; Valtinho Martins, rápido na linha fazia às vezes de repórter de campo, quando imitávamos os narradores esportivos da época(Haroldo Fernandes-Rádio Tupi, Fávio Araújo e Fiori Giglioti-Rádio Bandeirantes, e outros), faleceu em São Paulo antes de completar cinqüenta anos; Palmeira(carroceiro), zagueiro vigoroso, filho do Canhoto, irmão do Valentim e do Jair,  falecido em 2007, próximo de completar 60 anos.  A eles que não estão mais entre nós fisicamente, a homenagem e a saudade dos que ficaram, na certeza de que no time do céu todos são titulares escolhidos por Deus. 

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