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  10 de fevereiro de 2015

CARNAVAL QUE UM DIA FOI (O) MELHOR


CARNAVAL QUE UM DIA  FOI (O) MELHOR

                                                                 José Carlos Buch

Estamos na semana que antecede o carnaval de um ano qualquer da década de sessenta. A rua Brasil, está praticamente pronta para se transformar na passarela do samba e do desfile. Mascaras estilizadas e coloridas decoram os postes que receberam iluminação especial e, a cada 50 metros,  altos-falantes foram dependurados também nos mesmos postes para veicular músicas carnavalescas e  animar as noites de desfile. As únicas rádios da cidade(Difusora e A Voz de Catanduva), ambas em AM,  recheariam a  programação com marchinhas que fizeram sucesso em tantos outros carnavais e, certamente também estariam presentes transmitindo o desfile e o baile do principal clube da cidade. Não era preciso contratar artista de televisão para animar a festa, que atraía foliões e visitantes de várias cidades, principalmente da capital de São Paulo. Os poucos hotéis já não dispunham mais de reservas,  apesar dos pedidos que não paravam de chegar pelo então telefone de apenas quatro dígitos. A Prefeitura prometia se esmerar com os novos carros alegóricos construídos no pátio de serviço, na baixada da Rua Amazonas. As costureiras já viravam as noites para atender os inúmeros pedidos de fantasias de crianças e adultos. Nos quatro cantos da cidade, já se ouvia em todas às noites o som da bateria que marcaria o ritmo do samba a ser apresentado na avenida. Os bares, principalmente do centro da cidade, já começavam a receber caixas e caixas de bebidas para reforçar o estoque. As lojas das Ruas Minas Gerais e Brasil exibiam em suas vitrines e locais bem visíveis, pilhas de confetes, serpentinas, bisnagas que iriam conter água ou “sangue do diabo”(um líquido vermelho inofensivo para a pele, mas que manchava a roupa), máscaras, enfim, alegorias inocentes que faziam a festa dos meninos. Lança perfume da Rhodia(de tubo dourado) era livremente comercializada e utilizada para perfumar as pessoas, e não como acabou desvirtuadamente sendo empregada, ceifando vidas  que, providencialmente,   levou à  sua proibição pelas autoridades. O clima de carnaval já invadia a alma das pessoas e, apesar das pancadas de chuva de verão, tudo estava praticamente preparado para a festa que prometia!   Algumas figuras antológicas seguramente não iriam faltar. Chico Cano de Aro com a sua tradicional boneca de pano; Chain ostentando a placa de maior corretor da praça; Ademar diesel e alguns amigos todos caracterizados de mulheres,  conduzindo um calhambeque acelerado e produzindo fumaça(que perigo!!!); sósia do político Jânio Quadros desfilando com a sua tradicional vassoura caipira nos ombros; Nivaldo Guzzoni e amigos, fantasiados de personagens de gibis; grupo do bairro São Francisco cujos componentes se apresentavam movidos à cachaça brincando de “bumba meu boi” e o Pancho que desfilava sozinho tocando cuíca. Cordas de isolamento nas calçadas iriam impedir, nos dias dos desfiles, que a multidão avançasse a rua; escolas de samba(13 de Maio, Coração de Bronze e Cruzeiro do Sul) que não tinham nenhuma preocupação com enredo ou tema, se apresentariam sempre seguidas da turma da pipoca; cordões  e blocos movidos à  desconcentração iriam trazer alegria para a rua; jeeps e calhambeques de capotas arreadas desenfreados  faziam um show à parte, sem noção do perigo; os aguardados carros alegóricos — no mais bonito –,  desfilaria a rainha escolhida entre muitas candidatas  pela COFESCAR,  noutro o rei, invariavelmente o Milton Dall´Áglio que se revezava com o José de Luca(Zé Galinha) e,  no terceiro,  as  princesas — meninas da sociedade,  cujas mães não desgrudavam os olhos e as acompanhariam de perto –. Outros carros menos glamorosos  patrocinados por empresas também iriam desfilar.  Além do Clube de Tênis, com o seu tradicional concurso de fantasias, outros clubes também promoveriam bailes. O Nipo Brasileiro,  O Moringa, ora no barracão de café da rua 7 de Setembro esquina com Rua Goiás; ora na Rua XV de Novembro, no barracão vizinho à linha do trem; o Sexto Quarteirão de Amigos,  na Vila Mota; o Sindicado dos Empregados no Comércio; o Ceará, na Vila Amendôla; o Clube dos Bancários, atual sede da sociedade Italiana, na Rua Alagôas. Enfim, bailes para todos os gostos e bolsos não iriam faltar.  Whisky, fornecido pelo Biguá,  não faltaria nas mesas dos mais afortunados nos bailes do Clube de Tênis; cuba libra(coca-cola com rum), chuvisco(sodinha com cachaça)  e cerveja seriam  as bebidas mais consumidas nos demais bailes e botecos da cidade. Alguns personagens não iriam faltar no Clube de Tênis: O casal Toninho e Lúcia, do Supermercado Curitiba; Chico Nino, com o seu tradicional saco de amendoim torrado; Zualdo Gradella, com a sua inseparável toalha no pescoço;  Mário Couto, com o seu inseparável martelo de plástico e boina de marinheiro e, logicamente, a tradicional orquestra do Arley que, num ritmo frenético e sem interrupção,  começaria às onze e só iria parar às cinco horas da madrugada. Uma ou outra  briga certamente iria ocorrer,  cujos protagonistas eram sempre os mesmos. Na “A Cabana”,  Jorge Biazoli já estava  com tudo preparado para servir a sua tradicional canja de galinha caipira, que restauraria a energia dos foliões. Nos dias de momo, a cidade certamente iria acordar mais tarde,  tornando-a mais preguiçosa e ainda mais provinciana. O palco e o cenário estavam prontos e, como nos anos anteriores e noutros que se seguiriam, os catanduvenses não se cansariam de ouvir o ufanista bordão “o melhor carnaval do interior do Brasil”. E, para muitos que dele participaram, realmente foi!

                                                                 advogado tributário

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