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  27 de março de 2012

CARROCEIROS DO DESENVOLVIMENTO


CARROCEIROS DO DESENVOLVIMENTO

                                                                                   José Carlos Buch

A maioria das ruas da cidade era de paralelepípedos. Os bairros, com algumas exceções,  conviviam com ruas de chão batido,  sem rede de água e de esgoto. Muitos sequer eram atendidos pela rede de energia elétrica explorada pela CNEE que inexplicavelmente impôs à cidade padrão de 220 volts. Veículos era privilégio dos mais afortunados ou das pessoas da classe média alta,  que não eram muitas. Os táxis  compreendiam os Fords 48, 49 e 51, pretos e com pneus de faixas brancas, estes últimos que livraram a Ford da falência, com vendas de quase um milhão de unidades no mundo todo. Existiam, ainda, no serviço de táxi, os  Fords Prefect(biribinhas),  fabricados entre 1938 e 1961(na cor verde clara) que, de tão ruins, nem em exposição de carros antigos é possível encontrá-los. Inúmeros eram os pontos na cidade: em frente à Igreja Matriz; na Praça da República em frente ao Café da Esquina; na  Rua Pernambuco esq. com Rua Brasil; na Rua Belém,  em frente ao Hospital Padre Albino;  na Rua Rio de Janeiro esquina com Rua Brasil,  quase em frente à estação ferroviária, além  de outros. Na época, concorriam com os táxis as charretes, cuja corrida era bem mais em conta e normalmente utilizadas por aqueles  passageiros que não tinham pressa nenhuma em chegar ao destino. Mas, o que mais se destacavam eram as carroças, as primeiras com rodas de madeira envolvidas no arco de ferro e depois com rodas e pneus,  tracionadas por eqüinos. Tinham uma capacidade de transporte de treze sacos de 60 kgs.(em torno de uma tonelada) e todas faziam o transporte das mercadorias que chegavam pelo trem da EFA como: farinha, cerveja em saco de juta; açúcar, sal, arame farpado, cal, cimento, manilhas, telhas, ferro, etc. As mercadorias eram retiradas dos vagões e transportadas ao destino, tais como,   padarias e  atacados, com destaque à  Casa Elizeu Mardegan e Casa Matos,  abaixo do pontilhão da FEPASA;  Casa Dias Martins, na Rua Rio de Janeiro, em frente à estação da Cultura e Casa São Paulo, na Rua São Paulo, onde hoje é o empório São Pedro. O trabalho começava cedo e, antes das 8:00 hs,  todos já tinham saído para o primeiro carreto que alcançava a média de dez por dia. Também faziam o transporte de café coletando os sacos nas máquinas e armazéns: Bama e Nelson Bongiovani(Rua Aracaju esq. com Rua Amazonas);  Iran Silva(Rua Minas gerais esq. com Rua 24 de Fevereiro); Soubhia(Rua XV de Novembro, próximo à linha do trem); Zancaner(Rua Minas Gerais, onde hoje é o Supermercado Ricoy), que eram transportados para os armazéns do antigo DNC(Rua São Paulo, próximo da linha do trem), de onde eram embarcados nos vagões da EFA. As máquinas de arroz do Pedrão Chimelo(Rua XV de Novembro, abaixo da linha do trem) e do Henrique Spanazio(Rua Maranhão esq. com Rua Paraíba), também utilizavam as carroças para embarcar arroz nos vagões da mesma EFA. Elas  faziam ainda  o  transporte de mercadorias, adquiridas junto aos mesmos atacados, por bares, vendas e quitandas. Serviam também  para o transporte de  materiais de construção, areia das estradas, madeira, mudanças, etc.. Era através das carroças com carrocerias tipo baú que chegavam às residências,  o pão, o leite e até os miúdos de porco(conhecidos como bucheiros). Praticamente tudo era transportado por carroças, já que caminhões eram pouquíssimos. Essa atividade teve o seu auge na década de cinqüenta,  passando a perder importância no início da década de sessenta, quando passaram a ser substituídas por caminhões e Kombs. Antes de 1960 eram aproximadamente oitenta  só no ponto principal na Rua Rio de Janeiro próximo à caixa d´água, em frente ao antigo Hotel Acácio, indo até a antiga estação Rodoviária(atual Estação Cultura), segregado, é claro,  pela estação da EFA. As carroças eram emplacadas pela Prefeitura, que cobrava uma taxa de licença anual e a cidade contava com dois bebedouros de água para os animais – um ficava na mesma em frente ao então Hotel Acácio e o outro, no mesmo local onde atualmente está o marco zero da cidade(em frente à base do SAMU). Eram fabricadas na empresa Maquinas Agrícolas Santa Clara Ltda., que funcionava na Rua 14 de Abril, na Vila Mota,  que começou a declinar à medida em que o meio de transporte que era o seu carro chefe foi perdendo importância. Muitos carroceiros construíram um patrimônio razoável e alguns tiveram como seguidores seus próprios filhos. Outros investiram nos seus filhos que se destacam em suas atividades. De todo aquele time, muitos nomes foram lembrados dentre eles: Manoel Buch(pai do colunista) e Mario Buka(tio do colunista), irmãos Mendes(Pedro, conhecido como canhoto,  Ângelo, Miguel, Sebastião, Valentim(filho do Pedro), Emilio, Guerino, Izidoro, Miquelete, Gabriel, Miguel Turco, Antonio Vila Mota, Francisco Garcia, Santim, Gregorim, Orlando, Luis Ferrarez, Francisco Gardiano, Valdir Branzani,  Manuel(da Vila Guzzo), Garbim,  Sebastião Fontes, Aparecido Berne, João Trevizan, Luiz Garbim, Benedito Sanches, os irmãos Ricardo e Francisco Maiorano,  Octacílio Leiteiro e Constantino(que ainda trabalha), dentre muitos. Apesar do esforço de memória do meu pai e do meu tio Mário,  que ajudaram a contar essa história, certamente,  muitos nomes foram omitidos o que, entretanto, não lhes tira o mérito de terem ajudado a construir a cidade que hoje vivemos.  As carroças atualmente não passam de raridade, verdadeira espécime em extinção. Há cinquenta  anos não ficavam muito atrás do número de veículos. Deveras, o ritmo de vida era outro e, nas ruas,  de paralelepípedos ou chão batido, a poluição não era do monóxido de carbono dos veículos, mas sim dos excrementos dos animais que, uma vez recolhidos,  acabavam virando esterco de jardins e hortas.

                                                                     advogado tributário

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