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  17 de junho de 2005

DISCURSO INCOMUM


DISCURSO INCOMUM
José Carlos Buch

“Quem quiser que acredite em discurso, eu prefiro acreditar nos homens” Millor Fernandes

Como operário do direito temos procurado divulgar ao máximo a  Lei nº 11.101, de 09 de fevereiro de 2005, que trata da Recuperação Judicial e Falências e que entrou em vigor no dia 9 p.p.. Nesse nosso périplo  temos tentado  mostrar a importância e os avanços significativos que os duzentos artigos do novo mandamento legal contemplam. Nosso propósito não é outro senão o de popularizar um instrumento legal que promete ser uma ferramenta importante no segmento empresarial, notadamente trazendo solução para as questões de insolvência momentânea e mesmo na liquidação de empresas, quando a quebra é inevitável. Por se tratar de um assunto estritamente técnico temos premiados os nossos pacientes ouvintes, sempre ao final da nossa apresentação,  com a parte final do singular  texto do publicitário Nizan Guanaes proferido no final do ano  na formatura da FAAP, quando  escolhido que fora para paraninfo da turma. Desde então temos recebido inúmeros e.mails solicitando cópia do referido  texto que, inegavelmente, é  de rara beleza. Sem prescindir do devido crédito, reproduzimos o discurso do Nizan na certeza de que proporcione ao leitor a mesma satisfação proporcionada àqueles que tiveram a oportunidade de ouvi-lo em  nossa palestra. Discurso de Nizan Guanaes na formatura da FAAP –  Dizem que conselho só se dá a quem pede.   E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.  Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo  dinheiro. Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor.  Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou seis milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.   E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque  são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma. A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o  diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e  um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos,  disse:  – Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.  E ela responde: – Eu também não, meu filho. Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que  pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna. Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar  em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver  como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguaçu. Que era  ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e  Rosângela, sua concubina. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja  frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na  carta de Laudicéia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao  vazio.  Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o  fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o  remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária  oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo  homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo  ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não sente-se e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse, eu sabia! Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.  Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem,  trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata.  Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios. O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque  aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a segunda maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho. Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço.  E só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso”.

Lindo demais!!!

                                               * advogado tributário, membro da  Acade-                                                    mia Brasileira de Direito Tributário,  di-

                                                   retor jurídico da ACE, colaborador  do

                                                           jornal “Notícia da Manhã”.

                                                                          e.mail: buch@netsite.com.br

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