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  19 de setembro de 2018

O HOMEM DA BANCA E OS QUE DEIXARAM SAUDADE


 O HOMEM DA BANCA E OS QUE DEIXARAM SAUDADE

                                                                  José Carlos Buch

O prédio próprio no quarteirão da Rua Ceará, próximo à Rua Sergipe, é o endereço da banca de revista mais famosa, tradicional  e lembrada da cidade. À direita da enorme porta de entrada fica a mesa com tampão revestido na cor verde, que faz lembrar o uniforme do time de coração do dono. À frente da mesa três banquinhos de madeira, um deles apelidado de banquinho anti-stress, onde dezenas de pessoas, algumas quase que diariamente, faziam e fazem ponto para conversar, passar o tempo ou simplesmente pagar as revistas e os jornais adquiridos. Sobre a mesa pacotes das mais diferentes figurinhas(Lol, Pepa, Incríveis, Ben 10, Princesas, Campeonato Brasileiro, dentre outras),  e em seu entorno,  de um lado, um anexo tipo bancada sobre o qual fica o telefone fixo e,  mais à frente todos os jornais do dia. De outro lado,  sobre uma bancada um pouco mais alta, as revistas semanais(veja, Isto É, Época, Carta Capital, Exame, Vip, e tantas mais). A mesa é quase uma ilha cercada de revistas, jornais, figurinhas e outros tipos de publicações por todos os lados. O espaço do salão é amplo e muitas prateleiras mostram  as lacunas que, antes eram ocupadas pelas publicações tradicionais que deixaram de circular,  por conta da quase quebra da Abril Cultural(está em recuperação judicial), resultando na descontinuidade de muitas revistas, inclusive as infantis da Disney. Até o final da década de oitenta, a banca vendia aos domingos mais de 200 jornais, sendo 120 “Folha de São Paulo” e 80 “Estadão”, sem considerar igual número do “O Regional”. Hoje,  esse número mal alcança 20 exemplares (10%), dividido entre os dois jornais e, em torno de 80 exemplares do “O Regional”. Naquela época, calcula-se que existiam na cidade mais de 2.000 assinantes somando os dois principais jornais. Hoje, esse número não vai além de 20%. Sinal dos tempos! Mas voltemos ao banquinho anti-stress. Nele o professor Cleomero, que foi atleta profissional e dos bons fazendo dupla de meias com o Brecha,  jogando pelo Grêmio Catanduvense na sua primeira formação,  depois de adquirir o “Estadão” e revistas de palavras cruzadas, gostava de comentar sobre os jogos e principalmente do seu querido Palmeiras. Assim o fez até quando teve que se recolher dizimado pela doença. O Sr.  Zimmermann, alemão, corinthiano e conceituado marceneiro de Ariranha aparecia semanalmente para comprar o “Estadão” e também revistas de palavras cruzadas. Na longa  conversa com ele,  invariavelmente não faltavam coisas do seu trabalho e do seu inesquecível país. De repente, a triste noticia chegou dando conta de que ele não estava mais entre nós, ficando apenas a lembrança do freguês tradicional que deixou em seu lugar apenas a saudade.  Todos os domingos, impreterivelmente,  a partir das 11h30, o Sebastião Duarte, ultimamente feliz com o seu verdão,  aparecia para comprar  jornal e bater papo, hábito que se estendia até 12h30 ou até que a fome apertasse, como ele gostava de dizer. Era uma conversa agradável e sempre otimista, que se calou quando ele, sem ao menos avisar, fez inesperadamente sua derradeira viagem. Outro que deixou muita saudade foi o Sr. Wladimir Zancaner Bastos, que  era presença frequente na banca. Fã de palavras cruzadas, tinha sempre algo novo para contar e o fazia com a sabedoria e a humildade que poucos possuem. Sua missão chegou ao fim, mas a lembrança permanece como um dos mais assíduos frequentadores da banca. Impossível também não se lembrar, da sempre  elegante e serena Letícia Ladeira Tricca, acompanhada do não menos simpático marido Murilo, que marcavam  presença na banca todas as semanas. O Murilo,  levava o jornal Estadão(como ainda o faz) e figurinhas para os netos; já a Letícia não abria mão das revistas semanais. Com o avançar da doença que acabou por  levá-la  para sempre,  essas visitas tornaram-se mais escassas e  esporádicas até cessarem de vez.  Por último, mas não menos importante do que os demais, o Professor e advogado Dr. Vicente Celso Quaglia, era outra presença marcante na banca. Normalmente não fazia uso do banquinho anti-stress, mas era sempre bom e agradável ouvi-lo comentando sobre os fatos históricos da cidade, que procurou retratar com singular sabedoria em seus livros. O autor e tradicional freguês se foi, mas o seu legado não, eis que retratado em seus livros que contam um pouco do nosso passado. (continua na edição seguinte)                                 

                                                                  advogado tributário

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