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REMÉDIOS AMARGOS, MAS EFICAZES


  17 de janeiro de 2018

REMÉDIOS AMARGOS, MAS EFICAZES

                                                                 José Carlos Buch

Os que são da geração da década de cinquenta seguramente não tem saudade do sal amargo, que nada mais é do que o sulfato de magnésio –  um mineral proveniente de locais com formações rochosas onde ocorre a incidência de fontes termais –. Periodicamente, sob o pretexto de ser um importante depurativo e necessário para limpar o sangue, as zelosas  mães daquela época faziam os filhos ingerir, ao menos duas vezes ao ano,  um copo americano da indigesta solução amarga. Era um verdadeiro “pega pra capar” (pega pra capar, vem do costume antigo da roça ou fazenda. Para o porco engordar bem antes de ser abatido, ele tinha que ser castrado, capado. Então, o peão tinha que pegar o porco pra castrar, e não é fácil,  o bicho corre pela lama ou terreiro, grita, é uma confusão. Às vezes a família toda era envolvida na insana caça ao indefeso porquinho). Se ingerir o sal amargo já não  era uma  tarefa fácil para as crianças que,  invariavelmente precisavam fechar os olhos e tapar o nariz,  o que viria depois também era mais indesejável ainda. Além das inevitáveis cólicas, o efeito era devastador por conta da limpeza geral do organismo decorrente da diarréia que perdurava o dia todo. Se,  o sal amargo era detestável,  imagine a losna também conhecida como absinto, erva-do-fel, alenjo, erva-de-santa-margarida, sintro ou erva-dos-vermes, que era muito utilizada para combater vermes intestinais, melhorar a digestão  e até ajudar a baixar a febre. Suas folhas, de sabor intensamente amargo, eram amassadas e adicionadas em água morna para ser ingerida em forma de chá e, como era ruim!!! Erva de santa maria, também conhecida como mastruz, mastruço, ambrósia, matruz, anserina, menstruz, mentraz, chá-do-méxico, quenopódio e erva-formigueira, além de ser muita usada como importante vermífugo, principalmente contra as lombrigas, era conhecida como cicatrizante, usada  em machucados e outras doenças. O preparo compreendia em macerar suas folhas com um pouco de água e ingerir o caldo ominoso e detestável para combater os vermes. Nas ações cicatrizantes o processo era igual,  mas ao invés de água, usava-se óleo de cânfora e  sal, com a aplicação da mistura no local da ferida. Era tiro e queda!!! Nessa linha de remédios amargos e ruins pode-se incluir também os flaconetes de  BCG(Bacillus Calmette-Guérin), que eram distribuídas nos postos de saúde como vacina contra a tuberculose. Cada criança deveria tomar uma dose anual por três anos consecutivos, além é claro de outras vacinas injetáveis. Eita  líquido horroroso e duro de engolir! Muitas outras  ervas e remédios da época eram utilizados pelas pessoas mais simples, que não tinham acesso ao serviço de saúde, sem contar os benzimentos(contra mal olhado, quebranto, dor de ventre,  espinhela caída e tantos outros) e também as simpatias(começavam com “tem benzo e te curo…”), sempre indispensáveis para o bem estar do povo do sítio e da periferia. E,  cá entre nós, ninguém sabia o que era alergia e outras patologias que surgiram com o progresso. Quando muito,  pegava-se frieira nos pés –   por andar descalço e caminhar na enxurrada – que,   coçava e incomodava muito, mas que não resistia a um escalda pé com óleo de amêndoa e sal grosso ou com capim-limão. E,  se coçar trazia um pseudo alívio,  curar a coceira era questão de pouco tempo. Sal amargo, losna, erva de santa maria e BCG em flaconetes, são remédios do passado, mas ainda presentes na memória daqueles, não só pelo sabor desdenhável de cada um deles, mas, também por  que deles se valeram e se beneficiaram  na solução de muitos dos seus males.        

                                                        advogado tributário

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